Conheça
um pouco o "Instituto Estrada Real", sua atualização e seus objetivos.
O que é a Estrada Real ?
Um dos maiores complexos turísticos do Brasil
A Estrada Real foi sendo construída
nos muitos anos de idas e vindas, das Minas ao litoral, desde o século XVII,
em busca das riquezas. Caminhar pela Estrada Real é reviver os passos e os
caminhos percorridos pelos escravos, pelo ouro e pela história. Constituída,
ainda, pelas vias de acesso, os pontos de parada, as cidades e vilas históricas
que se formaram durante o passar dos homens e do tempo.
Inicialmente, o caminho ligava a antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto, ao porto
de Paraty, mas pela necessidade de uma via de escoamento mais segura e mais
rápida ao porto do Rio de Janeiro e, também por imposisão da Coroa foi aberto
um "caminho
novo". A rota de Paraty passou a ser o "caminho velho", a partir do século XVIII. Com a descoberta das pedras preciosas na região do
Serro, a estrada se estendeu até o Arraial do Tejuco (atual Diamantina), deixando
Ouro Preto como o centro de convergência da Estrada Real.
Assim se formou o complexo da Estrada Real, ou seja, mais
de
1600 km
de património, cercado de montanhas, natureza, cultura e arte. Conhecer a Estrada
Real é reviver o passado e a história de Minas e do Brasil.
Assim como as riquezas que foram extraídas da terra, venha explorar as belezas
da região, a cavalo, de bicicleta ou de carro em um passeio inesquecível
pela Estrada Real.
O
termo Estrada Real se refere aos caminhos trilhados
pelos colonizadores desde a descoberta do ouro
em Minas Gerais
até o período de sua exaustão. Um passeio nessa estrada é um retorno a história,
é voltar no tempo dos tropeiros que chegavam em seus cavalos e adultos e crianças faziam festa com a chegada da tropeirada.
Quem vive por essas bandas guarda na lembrança
o tempo em que o ouro 'brotava no chão' e acolhe
como ninguém quem chega a essas paragens.
São
muitos os trechos que podem ser percorridos na
Estrada Real e cada roteiro esconde tesouros
históricos, culturais e de belezas naturais.
Nessas trilhas, homens e mulheres de variada
ordem buscaram espaços de sobrevivência e de
produção de bens e na busca, construíram vida,
memória e história.
Ir
por esses caminhos é desbravar e penetrar no interior num percurso de prazer e de fuga do cotidiano. A Estrada Real, antes era um lugar que o ouro habitava, hoje é uma mina de ouro
para o turismo. Tem atrações para o ecoturista, para os interessados em história, para amantes de cavalgadas e
caminhadas.
O
turismo construído um sistema de significados para
as coisas que legam prazer ao viajante. E nessa
construído, estabelece relações entre a vida
material do passado, a paisagem e os costumes
e a realidade de quem busca diversão, conhecimento,
fuga do cotidiano.
Reconhecer
um espaço como 'turístico' é elaborar uma construído
cultural. é dar sentido e significado a coisas e a costumes de tempos diversos e de pessoas diferentes do turista. Esse processo
deu forma a uma narrativa que orienta a busca
de cada viajante e que antecipa os prazeres que
podem ser buscados e alcançados. Nessa narrativa,
visualizam-se alguns pontos, aspectos ou lugares
e lançam-se é sombra outros que não se quer ressaltar
ou que não foram entendidos pelo narrador.
Ao
turista/viajante cabe verificar o que foi iluminado
e o que foi deixado é sombra. E tirar de ambos
os prazeres que seus sentidos captarem. Nenhum
roteiro, portanto, antecipa o prazer e nenhuma
narrativa indicadora satisfaz a necessidade de
conhecer. Assim, nenhum mapa ou guia tem a pretensão
de esgotar as informações ou de informar sobre
tudo o que se viverá na viagem.
A
alegria de ver um chafariz centenário em Glaura,
de conversar entre duas igrejas de Acuruí, de
participar de uma festa religiosa no Serro, de
admirar a paisagem de Milho Verde, de perceber
a paz de Itapanhoacanga, de aproveitar a hospitalidade
de Córregos, de banhar-se em cachoeira de São
Gonçalo do Rio das Pedras, de comer um pastel
de angu em Conceição do Mato Dentro, de ouvir
uma seresta em Diamantina, de admirar a lua
em Catas Altas
, de cochilar em um banco de varanda de fazenda dos arredores de Barão de Cocais,
de tomar uma pinga em Sabará ou de ouvir os casos
de tropeiros que (incrível) ainda existem pelas
lindas trilhas da Serra do Cipó, tudo isso e
muito mais é reservado ao turista/aventureiro
que se dispóe a abrir seu coração para a percepição
de outros cotidianos, muito distintos do seu.
A
experiência turística, mesmo que permeada de
informações prévias, é única e é surpreendentemente
construída na viagem. Não se deve abrir mão dessa
surpresa. Não se deve deixar que a sedução das
imagens fáceis da vida comum supere a claridade
do dia, o som da noite, o odor da terra, a beleza
das matas, a brisa fria dos morros, a vivacidade
das pedras.
A
Estrada Real deve ser construída culturalmente.
Deve-se dar a ela significados históricos e preservar-lhe
a memória. E grandes esforços devem ser investidos
por nossas instituições para que isso ocorra. Deve-se propiciar ao turista informações e estrutura para que seja possível a experiência
turística. Espera-se do turista um desmedido
amor ao ambiente natural, é vida material e aos
costumes de homens e mulheres que vivem na região
visitada.
Abra
o coração ...
Texto
de José Newton Coelho Menezes |